Leandro

Leandro - Soldado da guarda kyar

Leandro Cavalcanti, filho de Domênica Cavalcanti, zeladora da escola Kyar, e de Severino Cavalcanti, estribeiro Kyar. Foi um orgulho e uma conquista para sua família quando conseguiu ser aceito na guarda Kyar. A distinção é sempre elogiada entre amigos e familiares, como se houvesse acendido a uma nova classe social.

Na seleção que participou, haviam muitos candidatos, alguns até com nome mais forte, mais experiência por já trabalharem na guarda da cidade, ainda assim Leandro conseguiu prevalecer, por seu mérito próprio, acredita. Superada a seleção participou de um treinamento de 6 meses em outra cidade, moldando-o em técnicas basicas de combate, com mais enfoque em prepara-lo para um aprimoramento diário do que o treinamento em si. A melhoria é algo constante em Kyar, algo diário.

O treinamento também os ensina que eles são os braços, a arma e o escudo dos magos, servindo de suporte com o que lhe for possível, seja conhecimento ou obediência as suas ordens. Leandro sentiu que aos poucos todos os membros d eKyar, a guarda inclusa, deixam de ser pessoas autônomas para se tornarem parte de algo maior. Isso é algo dificil de explicar a quem está de fora, quando seus amigos perguntam, o que os diferencia dos demais não é tanto o que fazem, mas o fato de ser alguém de confiança desse sistema, que não irá se rebelar. Acredita que se ele é bem pago, é por sua conformidade.

Apesar de todo o status, Leandor logo percebe o quão pequeno ele é nesse mundo. Poderoso apenas em seu pequeno mundo, apenas quando age e representa os interesses Kyar, como um machado que se sente realizado apenas se conformar com a vontade do lenhador. Quando tentava reclamar, seus amigos não entendiam, não conseguiam compreender a insignificancia de seu salario perto do dos magos, do quão pouco lhe era dado. Eles apenas comparavam suas proprias misérias com a dele, e diziam-no que ele havia ganho na loteria. Eles não entendiam, talvez nem ele entendesse.

A guarda possuía uma hierarquia própria, mas sempre era chefiada por um mago. Seja nos turnos, seja na organização como um todo. Cabia aos magos as decisões finais. Além de proteger os portoes Kyar, e de serem os braços fortes dos magos em algumas tarefas braçais, costumeiramente o mago de plantão ordenava a alguns soldados da guarda intervir em alguns assuntos da cidade que fossem de interesse da escola.

Em um dado momento Leandro está na guarda, quando seu superior os chama da porta de seu escritorio, em direção a escada na parte de baixo.
Capitão: Henrique, Mateus, Giuliano e Leandro
Os soldados não estavam ativos na função, apenas passando seus momentos de descanso antes de assumirem o posto para o próximo turno. Em menos de um minuto todos estavam na slaa do capitão. Lá também estava alguém não conhecido, provavelmente um cidadão comum.
Capitão: Alguém morreu, estão suspeitando que tenha sido um mago que o matou. Acompanhe o jovem aqui até a casa da morta e isolem a área até que um mago vá até o local.
Todos: Sim senhor
Os soldados descem para os dormitórios e terminam de pegar seus equipamentos, agora parecendo uma guarda de verdade. Seguem o rapaz por quinze minutos até chegarem ao local, em uma região de classe média.
Henrique, o soldado mais graduado assume a liderança do grupo. Logo que chegam há um aglomerado de pessoas nas proximidades e o rapaz indica a casa onde está o corpo. Leandro e Giuliano afastam as pessoas, trancando a passagem para a entrada da casa, enquanto Henrique e Mateus adentram o local.
Leandro houve alguns comandos por parte de Henrique, e então algumas pessoas começam a sair de dentro do local, algumas cochichando, outras visivelmente irritadas. Tudo parte da rotina, as pessoas não gostam de serem excluídas dos locais, mesmo que acabem por atrapalhar uma investigação.
Meia hora se passa até que os magos enfim apareçam. Ao que parece é o grupo de investigação. Há claramente uma distinção entre os magos. A maga que toma a frente da situação, passando pelos guardas sem parecer que eles existem usa uma jaqueta que vai até o joelho, de cor vinho, Rahj. Em seguida entra um rapaz com aparência mal cuidada, como se fosse um peregrino de barba volumosa e roupas simples de tons verde, Varelis. O ultimo obviamente é um mago Kyar, certamente o mais velho de todos, já um homem feito, alguém a quem Leandro nunca encontrou mas facilmente sabe identifica-lo. É o único que cumprimenta os guardas ao passar por eles.
Homem: Olá
Giuliano: Arcano
Leandro: Arcano Aeth.
Arcano é o pronome de tratamento com que se refere aos magos. A maior parte da etiqueta e cultura é dispensada a um mebro da guarda, mas aprender a chamar corretamente as autoridades é algo obrigatório, com um risco muito alto de consequências em caso de descumprimento e um ego ferido. Aeth é o estranho no ninho, a exceção à regra, alguém que foi dada a oportunidade de ser mago sem ter passado pela seleção quando criança. Algo que muitos, inclusive Leandro, achavam ser impossível.
Aeth estava em Kyar fazia três anos, e Leandro talvez o tivesse visto de passagem, do alto da torre da guarda, mas nunca tão próximo. De certa forma ele estava decepcionado com o que vira, esperava uma presença arrebatadora, mas Aeth parecia um homem comum, facilmente se disfarçaria de um comum. Não havia a pompa e a superioridade eminente dos magos. Mais do que um caso incomum, a existência de Aeth gerou desconforto em Leandro. Poderia um homem mudar seu detino e tornar-se mago? Até então parecia impossível, mas agora o véu dessa realidade havia se quebrado, e isso incomodava Leandro.

Logo que passa pelos guardas Aeth retira um retangulo de vidro vermelho, apenas alguns centimetros, e então algo sai de seus dedos e o retângulo fica translucido, levemente amarelado. Aproxima o retangulo dos olhos e começa a olhar para tudo ao redor. Após alguns minutos a maga rubra volta para fora e se aproxima de Aeth.
Maga: Algo?
Aeth acena positivamente levemente com a cabeça, como se não quisesse dar muitas informações. Os magos raramente falavam perto dos comuns, e mesmo a guarda Kyar estava mais proxima dos comuns do que dos magos. Ao menos era como Leandro se sentia.

Os magos demoram cerca de uma hora analisando o local, logo que entraram Mateus e Henrique saíram e formaram guarda junto a Leandro. Durante todo esse tempo uma mulher de certa idade tentava convencer os guardas a deixa-la entrar, que era parente da vítima. Henrique assumiu a lidernaça do dialogo e explicou que precisavam investigar e assegurar justiça, uma resposta padrão, protocolo ensinado a todos da guarda em situações como essa. Haviam tantos protocolos a serem aprendidos e seguidos que o serviço de guarda em si, olhar fixo no horizonte, parecia um descanso. Toda semana havia uma nova circular aprimorando os protocolos.

Após uma hora os magos saem, novamente sem esboçar qualquer energia para com a guarda ou os comuns. Aeth então se vira para Mateus.
Aeth: Ela possuia algum parente?
Mateus aponta para a senhora e ela se aproxima, do meio da multidão.  Aeth continua a dar comandos para Mateus.
Aeth: Pegue o depoimento dela, e dados para contato e depois envie o relatório para a divisão de investigação
Mateus: E o corpo?
Aeth: Pode libera-lo, não há sinais de magia.
Essa ultima resposta intriga Leandro, pois Aeth havia dito à maga que havia visto magia. Aeth então segue em direção aos demais magos, que já estão na esquina, longe da multidão, esperando-o . A parente da vítima tenta aproximar-se de Aeth, mas ele não esboça qualquer sinal de empatia que permita uma aproximação, parte do protocolo dos magos de investigação, Leandro acredita. Coube então a Mateus e e Henrique meter a mão na massa, por sorte ficando Leandro e Giuliano apenas com o papel de fazer cara feia e intimidar as pessoas.

Mais algumas horas se passam, três no total, até que tenham apaziguado tudo e deixado a cena com os ânimos mais calmos. Uma saída prematura daria a impressão que os magos estão fugindo, por isso faz parte do protocolo que eles apenas deixem o local após ter a certeza que as emoções já estão sob controle.

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